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30 anos de Real: análise de investimentos e lições para investidores – 29/06/2024 – De Grão em Grão

No dia 1º de julho, nossa moeda celebra 30 anos de existência. Ao longo dessas três décadas de estabilização e evolução do mercado financeiro, os investidores estão cada vez mais conscientes da importância de suas decisões para garantir o futuro de suas aposentadorias. Para embasar estas decisões, é natural olhar para o passado. Apesar de sabermos que o desempenho passado não garante retornos futuros, revisitar esses períodos nos ajuda a compreender como estas escolhas podem ser impactadas. Respondo três questões que muitos se fazem neste momento.

Uma das perguntas mais frequentes é: compensou investir na Bolsa brasileira ao longo desses anos?

Embora o investimento em ações deva ser considerado a longo prazo, quem soube aproveitar os períodos de queda de juros obteve mais sucesso a curto prazo. Para quem manteve investimentos ao longo desses 30 anos, o desempenho do Ibovespa não se mostrou tão interessante em comparação ao CDI, a referência básica de renda fixa no Brasil, superando apenas a poupança.

Em três décadas, um investimento que acompanhou 100% do CDI acumulou uma valorização média de 15,76% ao ano. Um investimento inicial de R$ 10 mil no CDI, desde o início do Plano Real, hoje equivaleria a aproximadamente R$ 816 mil. Na poupança, o mesmo investimento teria gerado um retorno médio anual de 10,07%, resultando em um montante final de R$ 187,7 mil.

Em comparação, o Ibovespa teve um crescimento médio anual de 12,38% desde junho de 1994 até junho de 2024. Um investimento inicial de R$ 10 mil em 1994 no principal índice de ações brasileiro teria se valorizado para cerca de R$ 342 mil na última sexta-feira. É importante ressaltar que esses retornos já consideram o reinvestimento dos dividendos.

O gráfico abaixo ilustra a evolução de um investimento inicial de R$ 10 mil nos três índices mencionados ao longo dos últimos 30 anos.

Outra questão relevante, especialmente em um ano de forte valorização do dólar, é: teria sido mais vantajoso investir em títulos referenciados ao IPCA ou em dólar?

É importante lembrar que, no passado, investimentos em títulos de renda fixa atrelados ao IPCA ou em dólar não eram tão comuns ou acessíveis como são hoje. Apenas na última década esses investimentos se popularizaram.

Além disso, é crucial destacar que títulos atrelados à inflação possuíam taxas de juros reais que eram mais do que o dobro das atuais antes do ano 2000. Portanto, não é adequado comparar as taxas de juros reais de hoje com as do CDI na primeira década do Plano Real.

Para analisar a performance de títulos referenciados ao IPCA em comparação com o dólar, suponhamos que ambos tivessem uma taxa de juros constante de 6% ao ano ao longo do período. O gráfico abaixo apresenta a evolução de um investimento inicial de R$ 10 mil em ambos os tipos de títulos.

Observa-se que o investimento em títulos referenciados ao IPCA teve um desempenho superior. Além de proporcionar retornos mais altos, esses ativos também apresentaram menos volatilidade do que aqueles referenciados ao dólar. Ao longo dos 30 anos, a inflação medida pelo IPCA teve uma média anual de variação de 6,75%, enquanto o dólar teve apenas 5,19%. Portanto, para a mesma taxa de juros, um título referenciado ao IPCA teria sido mais rentável. No entanto, é importante notar que títulos internacionais geralmente oferecem taxas de juros mais baixas.

Uma terceira questão que surge é: teria sido melhor investir no Ibovespa, no S&P500 com exposição ao dólar, ou no S&P500 “hedgeado”, ou seja, protegido contra variações cambiais?

Novamente, é importante lembrar que o acesso ao mercado de ações americano se tornou mais amplo apenas na última década. Antes disso, poucos brasileiros tinham essa oportunidade.

Antes de apresentar os resultados, é fundamental entender a diferença entre investir no S&P500 com exposição ao dólar e “hedgeado”. No primeiro caso, considera-se a variação do índice da Bolsa americana, acrescida da variação cambial. Já no segundo caso, o investimento é protegido contra a variação cambial, garantindo o retorno em reais. Essa proteção é realizada por meio de fundos de investimento que utilizam derivativos, o que adiciona ao retorno do índice internacional o diferencial de taxa de juros entre Brasil e EUA. Ao longo do tempo, esse diferencial tem sido próximo de 50% do CDI.

O gráfico abaixo mostra o desempenho desses três tipos de investimentos em Bolsa. Observa-se que, até 2020, o Ibovespa superava o S&P500 com exposição dólar. Nos últimos quatro anos, no entanto, o índice americano ultrapassou o brasileiro. Ao longo das três décadas, o S&P500 “hedgeado” apresentou o melhor desempenho, não apenas pelo maior retorno, mas também pela menor volatilidade.

O retorno anual equivalente do S&P500 com exposição cambial foi de 15,06% ao longo dos 30 anos, o que é inferior ao CDI no mesmo período. Já o retorno anual equivalente do S&P500 “hedgeado” foi de 17,0% no mesmo período.

Com esses dados, podemos extrair duas lições importantes. Primeiro, a renda fixa brasileira tem se mostrado altamente competitiva. Segundo, investimentos de maior risco, mesmo no mercado internacional, exigem cautela, dada a forte competição da renda fixa brasileira.

Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Casa do Investidor.

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