Bolsonaro vai poder justificar que está largando Ramagem porque se sentiu traído. O relatório da investigação da Polícia Federal indica um áudio em que o ex-presidente, o ex-diretor da Abin e o ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, o general Augusto Heleno, discutem como anular as investigações por rachadinhas (aka desvio de grana pública) contra Flávio Bolsonaro. A gravação estava em um aparelho de Ramagem.
O relatório também mostra que integrantes da máquina de espionagem legal tentaram levantar informações desabonadoras de auditores da Receita Federal para serem usados na defesa de Flávio.
Grampeador que grampeia grampeador tem 100 anos de perdão? Não para Bolsonaro. Para ele, ele tinha o monopólio do grampo ilegal e deve ter ficado enfurecido com o feitiço se voltando contra o feiticeiro.
A proximidade de Bolsonaro com Ramagem era tanta que ele queria o delegado da Polícia Federal como diretor da instituição para proteger a ele, seus filhos e amigos, como deixou claro em reunião ministerial de abril de 2020. O então ministro da Justiça e Segurança publica Sérgio Moro acabou pedindo demissão ao bater de frente com ele por conta disso.
Por muito menos, Bolsonaro abandonou aliados e assessores na beira da estrada, de Gustavo Bebianno ao general Santos Cruz. Por que não usaria a justificativa vitimista da traição como argumento para colocar alguém mais eleitoralmente competitivo no seu lugar?
Se não fizer isso, ele vai provar que realmente vê o deputado como um filho. Ou que de onde saiu aquele áudio tem muitos outros…