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Franceses com dupla cidadania temem promessa da ultradireita para restringir seus direitos

“É um insulto a todos os cidadãos com dupla nacionalidade”, reage Amayas Allam, 24 anos, franco-argelino e estudante de uma importante escola superior de negócios. Ele disse estar chocado com o apoio, por uma parte dos franceses, deste tipo de medida. “O que me assusta é o precedente de discriminação entre os franceses que isto criaria, que poderia abrir a porta” a outras medidas dirigidas aos cidadãos com dupla nacionalidade, como o “acesso a cuidados, serviços públicos etc.”.

“Não compreendo esta abordagem do RN”, afirma Nadjet Aviles, 58 anos, professora do ensino médio, que diz estar “preocupada”. “É completamente estigmatizante. Eu me perguntei se deveria começar a fazer as malas, mesmo morando na França há 34 anos. Meus filhos nasceram aqui”, diz ela, sem conter as lágrimas.

Rodrigo Arenas, deputado franco-chileno do partido França Insubmissa (esquerda radical), chegou à França em 1978 aos 4 anos com os pais que fugiam da ditadura de Augusto Pinochet. Para ele, esta proposta é “uma estupidez pragmática, política, estratégica, que não satisfaz nenhuma necessidade e é, ao contrário, oposta aos interesses da França”, disse à AFP.

“A Assembleia Nacional, o Senado e até os ministérios às vezes são ocupados por figuras políticas de diferentes nacionalidades. É a história deste país”, insiste.

Já Emily, uma jovem franco-britânica de 17 anos que vive na Bretanha, no oeste, diz que sente “medo” com a perspectiva de adoção do plano. “Já recebi comentários de pessoas que não são muito simpáticas em relação à minha nacionalidade britânica. Por enquanto é só na escola, mas se vierem de pessoas que potencialmente estiverem à frente do Estado e implementarem leis neste sentido, é muito mais sério”, avalia.

A cantora franco-maliana Manda Sira, 30 anos, se emociona com o que considera uma proposta “lunática”. “É uma forma de criar sempre diferenças e desigualdades quando, pelo contrário, lutamos para avançar e apagá-las”, critica a artista, que “está alarmada” com a ideia de uma “classificação dos franceses que têm mais valor ou direitos”.



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