Em uma conversa franca e reveladora, Enrique Mackenzie, ex-integrante do Opus Dei, compartilhou com a CNN Brasil suas experiências dentro da organização católica que o marcaram profundamente. Segundo Mackenzie, a vivência na seita não apenas moldou sua fé, mas também deixou cicatrizes emocionais que o acompanham até os dias de hoje. Ele descreve uma jornada marcada por uma intensa sensação de culpa, que permeia sua vida e suas interações sociais, refletindo a pressão e as expectativas que a instituição impõe a seus membros.
O Opus Dei, fundado em 1928, tem como objetivo promover a santidade na vida cotidiana, mas, para muitos, como Mackenzie, essa busca por uma vida perfeita pode resultar em um peso psicológico significativo. Durante a entrevista, o ex-membro detalhou como a rigidez das normas e a constante vigilância sobre comportamentos e pensamentos contribuíram para um estado de ansiedade e insegurança. A cultura de culpa que permeia a organização, segundo ele, é um fator que desencoraja a individualidade e o autoconhecimento, levando muitos a se sentirem inadequados ou até mesmo falhos em suas jornadas espirituais.
Além de relatar suas dificuldades pessoais, Mackenzie fez um apelo à reflexão sobre as práticas e ensinamentos do Opus Dei, incentivando uma abordagem mais saudável e menos punitiva da espiritualidade. Ele acredita que a instituição tem um papel crucial a desempenhar na vida de seus membros, mas que essa influência deve ser exercida de forma a promover um ambiente acolhedor e menos opressivo. A busca por um equilíbrio entre fé e bem-estar emocional é uma mensagem que ele espera que ressoe não apenas entre os ex-membros, mas também entre aqueles que ainda permanecem na organização, pois a saúde mental é fundamental para uma vida espiritual verdadeiramente plena.