“Não tenho mais Natal ou Ano-Novo”, diz mãe de menina sumida há 6 anos

Escrito por   em 24/12/2021

Rio de Janeiro – Entre 1º de janeiro de 2009 e 16 de dezembro deste ano, 1138 crianças e jovens desapareceram no Rio de Janeiro. Desses, 156 seguem sem paradeiro conhecido pelos familiares. Este número corresponde a quase 30% do total de pessoas do grupo desaparecidas no estado – 570. Os dados são do programa SOS Crianças Desaparecidas, da Fundação para a Infância e Adolescência do Rio de Janeiro (FIA-RJ). O órgão é vinculado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDSODH) e faz o mapeamento há 25 anos.

Polyanna Ketlyn da Silva Ribeiro, hoje com 17 anos, faz parte desta estatística. Aos 11 anos, a menina desapareceu na noite de 2 de abril de 2015 após sair para comprar uma caixa de fósforo e um doce em um estabelecimento perto de casa, em Piratininga, região oceânica de Niterói (RJ). Ela disse à mãe que voltaria logo, pois assistia a um programa infantil, que estava no intervalo comercial.

Desde o dia do desaparecimento, a mãe de Polyanna, Marcele Silvério Moreira da Silva, 40 anos, luta para encontrar a menina com vida. Com a filha mais velha grávida e dois filhos autistas, a dona de casa se supera a cada dia e torce para que Polyanna entre pela porta da sala a qualquer momento.

A supervisora hospitalar Luciene Pimenta Torres, 60, passa pela mesma situação. Na manhã de 30 de agosto de 2009, a filha dela, Luciane Torres da Silva, hoje com 22 anos, saiu para comprar pão em um estabelecimento perto da casa onde morava, no bairro Km 32, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Nunca mais voltou. Moradores chegaram a ver a menina, na época com 9 anos, ser levada por um homem em uma bicicleta. Porém, até hoje, a família não faz ideia de onde ela possa estar.

No caso de Polyanna, Marcele chegou a fazer as festas de 13 e 15 anos dela, em 2017 e 2019, para manter a memória da filha viva. A comemoração contou com uma montagem da menina com um vestido de festa em um banner e um bolo temático. No entanto, depois, Marcele resolveu parar. “É como se eu estivesse me automutilando”, contou.

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