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suaves com o golpista; sanguinolentos com o democrata

É claro que não escapa à molecada birrenta e rancorosa que o presidente da República só reclama do chefe da dita “Autoridade Monetária” — que “autoridade” não é, mas mera “autorizada” — porque não pode mover uma palha contra ele. Ou pode? Lula pediu, por acaso, à sua reduzidíssima base no Congresso (quando o assunto é esse) que enviasse algum PLC (Projeto de Lei Complementar) mudando as regras da autonomia? Cadê? Havia alguma ordem expressa para dar de ombros para os gastos, e o resto que se danasse?

Isso tudo eram meras projeções mentais a alimentar a especulação. Cobrou-se do chefe do Executivo — e ele teve de resistir — que apresentasse de pronto um plano de cortes de gastos na área social que satisfizesse a sanha da turma. Lembrando certa personagem da Revolução Francesa, ao referir-se à retórica violenta de um adversário, seria o caso de dizer: “Deem um copo de sangue a estes canibais; eles estão com sede”. As coisas se acalmaram por ora, com a obviedade dita por Lula e Haddad, que os sanguinolentos já conheciam. E que se note: não se tornaram herbívoros. Nada impede que retomem a caçada.

POLÍTICA E IDEOLOGIA
Independentemente do lugar em que eu esteja no debate ao longo do tempo, jamais ignorei o peso das escolhas políticas e ideológicas. Com um ano e meio de mandato, depois de tudo o que se viu, Lula já apanhou mais da pena de alguns varões de Plutarco do que um golpista desavergonhado e ensandecido ao longo de quatro anos. Sim, é uma escolha.

Um olhar atento para o viés de certos medalhões de si mesmos, e vamos notar o esforço que fizeram para normalizar o bolsonarismo; para demonstrar que o bicho não era tão feio como se pintava; para tentar evidenciar que, bem…, bastaria conter a retórica beligerante e educar um tantinho os mais entusiasmados, e Jair Messias seria não mais do que uma expressão aceitável e até meritória do espectro democrático. O revisionismo da extrema-direita “intelectual” já começou. Já há livrinhos negando que tenha havido risco de golpe. Até Marine Le Pen e Jordan Bardella, seu “potro” — modo carinhoso como ela o trata —, já andam a merecer um olhar de simpatia desses delinquentes.

Enquanto Bolsonaro, inspiração de teses e práticas fascistoides, passou a ser tratado com benevolência, com Lula deu-se o contrário. Goste-se ou não de seu governo, é um democrata. Mas aí os mesmos insanos disseram: “Nem por isso vamos tolerar suas loucuras econômicas” — “loucuras” que não há. Estamos diante de um paradoxo: assimilam-se as diatribes fascistoides de um inimigo da democracia, e se vergasta um democrata para que ele não vá tomando balda. O paradoxo está nos fatos. Esses “analistas”, a seu modo, são coerentes.

Nunca tirem da mirada do futuro um olhar retrospectivo. Estes dias hão de ser clarificados. Os especuladores e seus porta-vozes espalhados por aí não queriam Lula naquela cadeira e tentaram, por exemplo, inviabilizar a PEC da Transição antes mesmo de ele tomar posse. Que os historiadores não se esqueçam: a tentativa de golpe ainda estava em curso, e o então presidente eleito começou a apanhar desses notáveis críticos da suposta farra fiscal. E não! Eu não acho que, “se risco de golpe existe, então tudo é permitido na economia”. Mas também não estou entre aqueles que, em nome do que entendem ser “equilíbrio fiscal”, topam qualquer parada.



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